terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Na folia do carnaval: lápis, papel, lembranças, um pouquinho de dor e muita cor... Lorenzo, amo-te.

É estranho, mas há um bom tempo atrás era bem diferente. Sempre tive fases, de repente tudo ficava negro e parecia que a angustia e a melancolia não passariam jamais. Dias bons eram dias bons, mas os ruins eram terríveis. O medo do futuro, a certeza do passado, a visão sobre a tão misteriosa e obscura morte, faziam parte do completo estado de tristeza, que beirava a uma sublime depressão, mas passageira... Datas especiais, meu próprio aniversário, tudo que significaria mudança causava em mim danos aparentemente fatais. Engraçado, que não deve ser normal uma criança parar pra pensar nessas coisas, em como é bom o presente, em ter medo de perder as coisas, em deixar de ser criança, mas eu fui assim! Lembro-me bem dos terríveis dias em que o desgosto tomava conta da minha vida enquanto recebia felicitações e sorrisos. Mas nem tudo dura para sempre, pra ser sincera essa frase ainda me amedronta, mas diferente de um tempo que já passou, hoje eu não me derrubo em lágrimas por isso, não que o trauma de mudança e a certeza que nada um dia existirá tenha passado, ou que não importo com isso, acho que talvez isso ainda é mais assustador hoje, porem eu já estou em um tempo que foi mudado e nesse novo tempo parar para pensar no assunto já não é tão permitido, já não existe a disponibilidade que me permitia viajar nas angustias tentando me agarrar ao presente, sendo que o presente imediatamente já se tornara passado. Pra falar verdade não sei se o motivo é realmente esse ou se pode ser algo expressado em um medo de perceber que tudo já mudou de tal forma que confirme que o medo que tinha no passado não era coisa à toa, eu de fato estava certa. É estranho, mas hoje me sinto mais triste, mas é uma tristeza mais prolongada, com algumas salva guardas que garante a felicidade também prolongada, mas pontual. Se ficar melhor de entender, hoje não tenho dias bons e dias ruins, todos os dias são bons ou ruins, como se a mim não me fosse permitido sentir cem por cento da esplêndida felicidade que adentra os seres humanos ao se deparar com bons dias, como também não é permitido carregar a tristeza por um período de tempo maior sem que sinta um lapso de felicidade. Acho que hoje pode ser que na verdade sou mais feliz, pensando pelo lado que parei de me fazer sofrer, de me entregar a pensamentos que me angustiavam e ainda angustiam, permiti viver mais o presente e tentar encarar o futuro com uma expectativa de mudança mesmo! Já que esse futuro, no meu caso, pode trazer mudanças boas, como se em uma linha de tempo (passado presente e futuro), o futuro fosse me salvar dos dias mais ou menos bons e ruins, dando a esses presente uma enorme força de mudança. Hoje não choro mais por esse medo de mudança mesmo ele existindo, nem reclamo do que vivi, nem do que fatalmente estou vivendo, mas espero pacientemente esses dias “equilibrados” passarem e logo.
Muitos motivos podem fazer parte dessa situação atual, pode ser como as coisas foram, como tudo chegou ao fim, ou ao começo. Talvez beire mais a maturidade, ou somente a falta de tempo disperso com a chegada das primaveras consecutivas... De fato, muito, muito se tem para que seja assim hoje, e de fato hoje já não tenho mais tempo para discorrer sobre o assunto, mas ai fica um pouco de mim, um pouco do que sinto e sou, nesse fim de carnaval. Com agradecimentos singelos, mas preciosos ao Lorenzo, que é o bom dos meus dias “equilibrados” e principalmente àquele que julgo ser meu criador que me deu esse imenso papel “quase” em branco pra eu desenhar a minha própria estória em quadrinhos!